Acabo de ler livro de Rodrigo Constantino, "Esquerda caviar"(Record, Rio-SP, 2013, 428 p.). Comprei-o num impulso, ao vê-lo sobre uma pilha na Livraria Cultura; fiquei curioso e não resisti. Se gostei do livro? Não exatamente. Recomendo a leitura? Não estou aqui para isso; só posso dizer se gostei ou não da leitura e o porquê.
O livro tem muitas passagens divertidas com as quais me identifico. Vou citar duas delas, mas há inúmeras:
Sobre a preguiça mental : "Não é preciso estudar a fundo, pesquisar, refletir e pensar sobre como resolver de verdade os problemas. Basta aderir a um grupo, repetir meia dúzia de slogans bonitos e usar palavras mágicas como "justiça social", "tolerância", "diversidade", "sustentabilidade" e "paz" que você automaticamente ganha o respeito de muitos bobalhões e posa como alguém cheio de opiniões sobre os mais variados assuntos" (p. 48)
E ainda:
"O sujeito pega a sua viola, acende seu cigarro de maconha, canta músicas românticas de Lennon e Bob Dylan, e jura para si mesmo que fez mais pela humanidade do que os empreededores que produzem riqueza e empregos para a sociedade. Garçom, mais uma cerveja!" (p. 50)
Gostei da crítica ácida à postura arrogante, superficial e simplista das pessoas que, baseadas apenas na crença - maniqueísta, por supuesto - se acham donas da verdade absoluta. Aqueles que acreditam piamente estar do lado do bem contra o mal. Pior, julgam-se sabedores desta diferença. São, por exemplo, os da esquerda festiva, caviar ou de botequim. Também o são os crentes do lulo-petismo. Na mesmíssima categoria, os defensores da ditadura militar de 64, dos regimes autoritários (de direita ou de esquerda) e os que não se incomodam com a coexistência de fortunas indecentes com a miséria absoluta. Ou os que professam o discurso racista; os que não se incomodam com a exploração do homem pelo homem; os que crêem que os meios justificam os fins. A crítica, a meu ver, é a mesma a uns e a outros. Rodrigo Constantino só se ocupa da crítica aos esquerdistas e o faz com fundamento. Elabora um verdadeiro libelo anti-comunista, anti-socialista e contra a esquerda em geral, não se ocupando dos demais donos da verdade da direita.
Torna-se sectário e cansativo. E junta-se ao time de maniqueístas que tanto critica.
Torna-se sectário e cansativo. E junta-se ao time de maniqueístas que tanto critica.