Destes tempos ácidos que enfrento, fica na alma a queimação da amargura, carente de um Malox emocional.
Nestes tempos de desconstrução que vivo, a fortaleza se mostra frágil, a muralha uma folha de papel.
Nestes tempos de luto em que enfrento a perda da pessoa, da instituição, da emoção, vivo o desmoronamento do edifício de emoções levantado em delicadas camadas de vivências de anos, felizes umas, duras algumas, tristes outras. Sobram os destroços soltos e desarrumados de lembranças gostosas, fortes, que pareciam ter sentido definido.
Destes tempos de desencanto com quem desaparece repentinamente, transforma-se espontaneamente e parte voluntariamente, resta apenas o desencontro, a certeza da fragilidade da relação outrora tão sólida, a constatação do mero efêmero que é a vida.
Destes tempos tristes que tenho vivido, tempos de enfrentamento de raivas e vinganças em erupção, de emoções em turbilhão, de maremotos destruidores, de incêndios nas florestas do amor, da atenção e do carinho, de terremotos em relações que tão firmes pareciam, resta a sensação de que algum engano teve lugar, algum engodo deixou-se levar, algo de falso apareceu. E um monstro escondido surgiu.
Nestes tempos áridos porque passo, muita falta me faz o vôo solto da imaginação, do pincelar de frases soltas e palavras leves que expressem emoções, vividas umas, suspeitas queridas outras.
Vivo tempos de censura, de quietude.
Vivo tempos de censura, de quietude.
Amanhã será outro dia. Novas emoções encontrarão espaço, novos sorrisos surgirão, novos olhares se encontrarão, novos abraços acontecerão e o chão voltará aos meus pés.
Amém.