Sentidos do silêncio
A palavra é de prata e o silêncio é de ouro, diz o ditado. É mais sábio calar que falar; é mais esperto ouvir que manifestar. É mais seguro apenas pensar.
As palavras são mesmo atabalhoadas, desengonçadas, degringoladas. São imprecisas e raramente traduzem bem nossas emoções. Vale mais ouvir que falar.
Além de sábio, o silêncio pode ser um poderoso aliado. E também mordaz. Irritante, frustrante, provocante ou arrogante, o silêncio é, por vezes, um dolorido sinal de malquerença, um torturante testemunho da indiferença ou da saudade, ausência da presença.
O silêncio não é unívoco. Pode ser defesa, pode ser esconderijo. Pode ser a face do menosprezo ou a escaramuça, o disfarce, a dissimulação, as marcas da desconfiança.
No amor, o silêncio é uma tragédia ou é resultado dela. O amor suporta mal o silêncio. Amor requer atitude, postura e expressão.
O amor quer que se diga sempre, mostre sempre, gesticule, olhe, alise, acaricie. Se for o caso sussurre, gema, grite, escreva na areia, no ar ou no papel; se der, cante, declame, minta, exagere, bata na cara.
Só não fique em silêncio.
Deixe o silêncio para os mortos.
Deixe o silêncio para os mortos.
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