domingo, 8 de junho de 2014

A saudade e o silêncio

Sempre achei que a saudade fosse apenas um grande vazio. 
Não é. A saudade é uma sufocante presença. 
A presença imensa da ausência. 
Traz com ela um silêncio que ensurdece e entristece. 
De luz que se esvai, de um tempo que anoitece..
Um silêncio crepuscular que lhe toma o lugar.
Lugar onde tece o que assim acontece.

Muito bem. 

Aí encontro esse pedaço de Drummond. 
E me calo, claro.

Ausência
     Drummond
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

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