A coragem de romper
Para romper é preciso coragem. Seja lá com o que for que se rompa, seja lá com quem for que se rompa. Tenho a maior admiração por aqueles que rompem; com situações que já não mais persistem, que já não mais subsistem, muitas vezes nem mais existem. Estas pessoas são corajosas, admiráveis, ultrapassam um obstáculo interno muitas vezes mais importante que todos os externos juntos. Mais brava ainda é essa pessoa que rompe com o cômodo, com o tonto, com o hipócrita, com a zona do confortável. Para romper é preciso que o espinho tenha infectado, que o furúnculo esteja maduro, que a bexiga esteja tão cheia a ponto de estourar.
Há os que rompem por falta de amor. Outros, por excesso. Há os que rompem por se terem perdido de si mesmos, outros, por se terem achado. Há os que rompem por explosão, outros por decisão. Há de um tudo. Há de um todo. Nesse mundo velho sem porteira, romper é parte da vida. É rompendo a placenta que o bebê nasce, é rompendo com a infância que o adolescente aparece, é rompendo com a juventude que surge o adulto e deste, o maduro.
É rompendo com o que morre dentro de si que se renasce. Romper, assim, é reaparecer. É reconstruir, refazer, recompor, redispor, rediscutir, repropor.
Admiro quem rompe. E só posso torcer para quem teve a coragem de romper: que reencontre, reerga, reconstrua, refaça, reveja, renasça, reviva.
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