domingo, 15 de junho de 2014

O Réu e o Rei, de Paulo Cesar de Araújo

O Réu e o Rei, de Paulo Cesar de Araújo

Nos últimos anos tenho sido leitor voraz de biografias. Talvez para entender minha própria, sei lá. Encontrei, no gênero, uma fonte de prazer e informação bastante proveitosa. E as biografias têm sido escritas cada vez com mais arte, gênio e cuidado. Rui Castro, Fernando Moraes, Lira Neto, são mestres do ofício que nos encantam com seus textos. Além de pesquisadores minuciosos, produzem obras magníficas. São portanto dois os prazeres básicos das biografias: o do conteúdo e o da forma como foram escritas. Confesso que a forma muitas vezes me atrai mais do que o personagem biografado. Alguém já leu a biografia do Paulo Coelho? Nada mais insosso. A cara dele, dos textos dele, dos profundamente medíocres "pensamentos" do igualmente medíocre, porém famoso, personagem. Só teve graça mesmo o texto do Fernando Moraes. E olhe lá.

Eu já tinha lido o livro "Roberto Carlos em Detalhes", de Paulo Cesar de Araújo, que veio a ser objeto de mais de um processo judicial movido pelo Rei contra o seu maior fã. Sim, pois não há outro fã de Roberto mais aficionado do que Paulo Cesar de Araújo. Tive curiosidade em conhecer a história do cantor do qual também me tornei fã, superando meu preconceito contra ele, tardiamente. Um livro bem escrito. Quase chapa branca. Um livro em que claramente o biógrafo se mostra um fervoroso e apaixonado admirador do biografado.

Tive curiosidade em conhecer a vida de Roberto Carlos para entender como é a vida de um cara que é prisioneiro da própria fama, um presidiário do sucesso. Tenho muita compaixão por essas celebridades longevas que se tornam verdadeiros sacerdotes da fama e que pagam por isso um preço caro: perdem a liberdade de ir e vir, de fazer o que querem, de errar e, sobretudo, o da privacidade. É uma escolha que fazem e certamente sofrem as consequências disso.

Fiquei estarrecido com a notícia do processo movido contra o autor por Roberto Carlos. À época, e sendo do ramo, pensei comigo: "está aí um caso em que advogaria pro bono para o Paulo Cesar". Só pela causa da liberdade de expressão, tema que me é caríssimo. Pois bem. Após o desastroso acordo feito, a obra foi recolhida e incinerada. Mas passou a circular anonimamente pela internet, em forma virtual, o que tornou sem efeito todo o esforço do Rei para tirar de circulação sua história.

Como o recém lançado "O Réu e o Rei", Paulo Cesar de Araújo conta a história do processo, a própria e aproveita para recontar, de outra forma, a história de Roberto Carlos. Bela sacada. Muito bem escrito, elegantemente elaborado, deixa o Rei no seu adequado e corretíssimo lugar neste capítulo de sua história: o de ridículo.


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