sábado, 22 de março de 2014

Imaginei autrement

Imaginei que a vida fosse longa, infinita até, 
que todos fossem iguais,
que as pessoas fossem boas,
que amassem umas às outras,
que tivessem consciência do bem e do mal, 
que a consciência do bem evitasse o mal; 
que o mal fosse necessário, mas não prevalecesse,
que existissem relações desinteressadas,
que a inteligência abundasse,
que burrice tivesse jeito (e limite),
que tibieza de caráter tivesse conserto,
que a natureza fosse apenas boa e generosa, 
que a verdade existisse (e triunfasse), 
que houvesse o certo e o errado,
que o fato fosse mais importante que a versão, 
que a justiça fosse feita, 
que a democracia fosse eficiente,
que o amor fosse lindo, sempre, 
que Deus existisse, ouvisse, castigasse e perdoasse,
que o Diabo também existisse, subordinado a Deus, 
que para tudo houvesse cura, 
que tudo se resolvesse, 
que tudo acabasse bem.

Imaginei que pudesse ser assim.

Mas assim não é.

Imaginei autrement

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