Mulher Madura
Donas de uma sensibilidade ímpar e uma intuição monstro, elas ouvem e lêem as entrelinhas da voz dos seus filhos, dos seus homens, dos seus amantes; enxergam suas feridas no escuro, sentem suas dores e angústias a enormes distâncias. São assim antenadas as mulheres maduras. Querem proteger, preservar, alimentar, cuidar dos seus. Rasgam o coração, descem do pedestal, esgarçam os tecidos dos nervos expondo-os aos perigos das intempéries para manter-se no domínio.
Na conquista, transformam-se, pintam-se, perfumam-se, vestem-se como se se despissem, sobem nos saltos mais altos e incômodos para realçar a postura e tornam-se divas, enfeitiçam, ensurdecem e enlouquecem quem quiserem. Com o olhar apenas, com trejeito, com o mexer nos cabelos, com o roçar dos dedos, com a brisa dos cílios, o movimento dos lábios e o tom macio da voz. Advinham os desejos daqueles que amam, antecipam-lhes a querência, os movimentos, as direções. Adaptam-se às temperaturas dos humores de seus homens e, à luz de velas, acendem-lhes os fogos da paixão e da loucura. Assim são as feiticeiras maduras quando amam. Tornam-se bruxas que amam com profundidade, com brutalidade, com fatalidade, com totalidade. E sabem feitiços, bruxarias, truques, trabalhos, o que for, que lhes mantenha o poder sobre seus homens.
Não há juventude, pele fresca, cheiro de fruta ou o que seja que possa enfrentar o feitiço de uma mulher madura.
Nenhum comentário:
Postar um comentário